sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O brincar nos primeiros anos de vida

Alguns pais podem não saber, mas há inúmeras atividades que ajudam a entreter as crianças
Brincando com o bebê
Embora todas as crianças sejam diferentes, elas podem desfrutar de brinquedos e de interações que podem ser feitas da seguinte forma:
Do nascimento até um mês:
• Pendurar objetos coloridos perto do bebê;
• Pendurar móbiles preto e branco.
O que você pode fazer como um pai:
• Cantar e falar com o bebê;
• Tocar música;
• Embalar o bebê e levá-lo para passear.
Os bebês de 2 a 3 meses gostam de:
• Objetos brilhantes;
• Quadros e espelhos;
• Chocalhos;
• Balanço infantil;
• Passeios de carro.
O que você pode fazer como um pai:
• Cantar e falar com o bebê;
• Tocar música;
• Embalar o bebê e levá-lo para passear.
Os bebês de 4 a 6 meses gostam de:
• Objetos brilhantes e coloridos;
• Segurar brinquedos;
• Chocalhos ou campainhas;
• Oscilações (balanços) e carrinhos.
O que você pode fazer como um pai:
• Converse com o bebê;
• Incentive o bebê a engatinhar e a sentar.
Os bebês de 6 a 9 meses gostam de:
• Brinquedos grandes com cores brilhantes que se movem;
• Brincar de esconde-esconde.
O que você pode fazer como um pai:
• Chame o bebê pelo nome;
• Fale claramente com o seu filho e estimule diferentes sons;
• Nomeie partes do corpo, alimentos e pessoas;
• Diga à criança comandos simples (segure, pegue);
• Comece dizendo palavras que demonstrem o que você faz;
• Incentive o bebê a engatinhar ao colocar brinquedos fora do alcance dele.
Os bebês de 9 a 12 meses gostam de:
• Olhar para livros;
• Ouvir sons de animais;
• Brinquedos de grande porte que podem ser empurrados e puxados.
O que você pode fazer como um pai:
• Leve o bebê para diferentes lugares e passeios;
• Jogue bola com o bebê;
• Leia para o bebê;
• Diga os nomes das partes do corpo para o bebê.
Brinquedos para crianças:
Nascimento até aos 6 meses:
• Móbiles;
• Espelhos que não quebram;
• Caixas de música;
• Sinos e chocalhos;
• Animais empalhados;
• Balanços;
Os bebês de 6 a 12 meses gostam de:
• Blocos;
• Brinquedos de cores vivas;
• Livros;
• Bolas;
• Copo e colher;
• Jack-in-the-box;
• Chocalho;
• Brinquedos de dentição;
• Brinquedos que podem ser empurrados e puxados.
Por Dr. José Luiz Setúbal
Fonte: Archildrens

Bebês e crianças devem aprender com brincadeiras

A Academia Americana de Pediatria informa que as crianças aprendem mais com jogos educativos, brincadeiras e interação com outras pessoas do que com as mídias eletrônicas
A tentação de confiar nas mídias eletrônicas e nos programas televisivos para entreter crianças pequenas e bebês está mais em alta do que nunca e estão em casa, no carro e até mesmo no supermercado.  Não há escassez de produtos como DVDs, vídeo games e programação orientada para os pequenos. Mas uma nova declaração da política da American Academy of Pediatrics (AAP) diz que existem maneiras melhores de ajudar as crianças a aprender nessa idade crítica.
Em uma pesquisa recente, 90% dos pais disseram que suas crianças menores de 2 anos assistem algum tipo de mídia eletrônica. Em média, os pequenosassistem a programas televisivos de 1 a 2 horas por dia. Aos 3, quase um terço tem uma televisão em seu quarto. Os responsáveis acreditam que a TV é educativa e é “muito importante para o desenvolvimento saudável”. Nestes casos, as chances de mantê-la ligada o tempo todo ou em parte dele  são duas vezes maiores.


A declaração da política do uso de mídias por crianças menores de dois anos“Media Use by Children Younger Than Two Years”, foi lançado terca-feira, 18 de outubro, na Conferência Nacional AAP & Exhibition, em Boston e será publicada na edição de novembro de 2011 de Pediatrics (lançada on-line, em 18 de outubro).



A AAP  fornece orientações sobre o uso de mídias para crianças menores de 2 anos de idade desde 1999 e uma recomendação na declaração da Academia da política, “Media Education“, as desencorajava ver TV.



Na época, havia poucos dados sobre o assunto, mas a AAP acreditava que existia mais efeitos negativos da exposição à mídia para os mais jovens. Dados mais recentes confirmam isso e a Conferência mantém a sua recomendação para manter as crianças com idade inferior a 2  anos como “tela-free” ou mais afastadas da TV, computador, vídeo game e outros, o quanto for possível.



Hoje, sabe-se mais sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças nos primeiros anos e as melhores maneiras de ajudá-las a aprender; sobre os efeitos que os vários tipos de estimulação e atividades têm nesse processo, por isto fazemos estas recomendações.



“As preocupações levantadas na declaração das políticas originais são ainda mais relevantes agora, o que nos levou a desenvolver uma atitude mais abrangente de orientação em torno dessa faixa etária”, disse o Dr. Brown, membro do Conselho AAP em Comunicações e Media.

O relatório propôs a responder a duas perguntas:
1-Fazer programas de vídeo e televisão têm qualquer valor educativo para as crianças menores de 2?

2- Existe algum mal em crianças desta idade assistir a esses programas?

As principais conclusões incluem:
a-Muitos programas de vídeo para crianças e bebês são comercializados como “educacionais”, mas as evidências não sustentam isso. Eles só são considerados de qualidade e educativos para as crianças, apenas se elas entendem o conteúdo e o contexto do que é passado. Estudos consistentes mostram que somente as de idade superior a 2 anos,  normalmente têm esse entendimento;

b- Tempo de brincadeiras bem estruturadas é mais valioso para o cérebro em desenvolvimento do que a mídia eletrônica. As crianças aprendem a pensar criativamente, resolver problemas e desenvolver habilidades de raciocínio e motor em idades precoces;
c-As crianças pequenas aprendem melhor e têm necessidade de interação com seres humanos, não com telas;
d-Pais que assistem TV ou vídeos com seus filhos podem contribuir para a compreensão da criança, mas elas aprendem mais com apresentações ao vivo do que com as televisionadas;
e- Quando os pais estão assistindo os seus próprios programas, estes são “mídia de fundo” para seus filhos. Distrai o pai e diminui interação pais-criança. A presença da TV também pode interferir com a aprendizagem do filho que realiza jogos e atividades;
f-  Ver televisão perto da hora de dormir pode causar maus hábitos de sono e sono irregular, o que pode afetar negativamente o comportamento, humor e aprendizagem;
g- Crianças com uso de mídia intenso correm o risco de atrasos no desenvolvimento da linguagem, mas ainda é necessária mais investigação sobre as razões.

O relatório recomenda que os pais e responsáveis:
a-Definam os limites de tempo de exposição em frente à TV para seus filhos que tenham menos de 2 anos, levando  em consideração que a AAP desencoraja uso da mídia para este grupo etário. Tenham uma estratégia para gerenciar, se optar por expor as crianças às estas mídias;

b-Ao invés de telas, optar por jogos supervisionados para bebês e crianças jovens durante os tempos que os pais podem sentar e participar ativamente no brincar com eles;
c- Evite colocar um aparelho de televisão no quarto da criança;
d- Reconhecer que a utilização de mídia eletrônica pode ter um efeito negativo sobre as crianças;
e- O relatório também recomenda mais pesquisas sobre os efeitos em longo prazo da exposição à televisão na saúde física, mental e social das crianças.

Tradução e adaptação: Dr José Luiz Setúbal
Fonte: American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference and Exhibition in Boston

PALHAÇO QUEIJADINHA, EM EVENTO NO HOTEL VILA DI MANTOVA

Por que brincar?

Sabemos que brincar é uma atividade prazerosa, que enriquece o convívio familiar e, sobretudo, ajuda a criança a fazer descobertas e ampliar sua criatividade. Atualmente entendemos que por meio de jogos e brincadeiras, além de deixarmos as crianças mais felizes e ajustadas, podemos, também, favorecer sua prontidão para o aprendizado escolar e interessá-la por práticas esportivas e atividades físicas em geral. Sabemos ainda que, por meio de brincadeiras, ajudamos a criança a fortalecer sua autoestima, comportamentos saudáveis e adaptativos, o que amplia suas habilidades sociais e a capacidade de enfrentamento de eventuais desafios ou adversidades.
BRINCAR X APRENDER? OU BRINCAR PARA APRENDER!!!
Em um passado recente, o brincar chegou a ser considerado perda de tempo, uma vez que não produzia “resultados” e não preparava para o “desempenho”. As crianças eram olhadas como seres que precisavam ser “conduzidos para o futuro” e precisavam se tornar “profissionais eficientes e competitivos”!!! Então, surgiram muitas “teorias” que pretendiam transformar bebês em gênios, por meio de estimulação precoce, para serem mais inteligentes, bem-sucedidos etc.
Quando a neurociência passou a aprofundar-se no estudo do comportamento humano, começamos a descobrir que nem sempre a aquisição de informaçãoleva à competência e ao sucesso. Muitos fatores interferem positiva ou negativamente no desempenho dos seres humanos. Também o conceito de inteligência foi revisto. Modernamente sabemos que há vários tipos de inteligências ou competências: emocional, musical, linguística, espacial, interpessoal, intrapessoal, lógico-matemática etc.
Assim, se quisermos “dar um empurrãozinho” no desenvolvimento global de nossos filhos, não teremos a fórmula da inteligência, mas usaremos os novos conhecimentos para facilitar e ampliar a expansão de potenciais e habilidades dos pequenos. Pelo brincar, e apenas pelo brincar, a criança pode explorar, descobrir, generalizar e assim continuar a aprender. Dizemos que brincar permite a aquisição da principal ferramenta para viabilizar o aprendizado consistente e o desenvolvimento global: aprender a aprender…
Criatividade, capacidade de solucionar problemas e bom humor são características importantes em qualquer momento e contexto, e podemos dizer que oferecer oportunidade de desenvolvimento emocional e cultural otimizará o uso do cérebro.
O PODER DO AFETO: CARINHO, MUITO CARINHO!!!
Brincadeiras e estímulos são como “alimentos para o cérebro”. Porém, não existem estímulos capazes de colocar, sozinhos, as informações na cabeça da criança… É preciso abrir o “canal” de entrada da informação com contato, interação, sensibilidade… Brincadeiras e trocas emocionais entre as crianças e os pais e pessoas responsáveis pelos cuidados ajudam a desenvolver muito mais o cérebro do que qualquer programa pedagógico!!!
Sabemos que afeto e prazer permitem que o cérebro em construção registre as informações e faça as sinapses, ou seja, assimilem e integrem os estímulos e os transforme em capacidades funcionais. Assim, o aprendizado vai sendo construído e fixado na memória.
Pensamento e raciocínio envolvem emoção. Os comportamentos não existem sem motivação, gratificação e reforço. Como já dissemos, o cérebro não possui nenhum módulo de aprendizado automático de leitura, escrita ou raciocínio lógico-matemático; esse espaço depende de aquisições prévias que se iniciam nos primeiros dias de vida.
Pais disponíveis, brinquedos coloridos, sons agradáveis convidam à ação e, assim, nosso bebê descobrirá que sua mãozinha é capaz de mexer o chocalho, seu pezinho é capaz de chutar e que seus movimentos são acompanhados com atenção e carinho. Reforçado por nosso afeto, repetirá as tentativas de alcançar, pegar, movimentar. Por incrível que pareça, despretensiosa e alegremente estamos preparando sua coordenação para leitura, escrita e seu tão desejado sucesso.
BRINCAR não se ensina e não se aprende: PRATICA-SE!!!
ENTÃO, VAMOS BRINCAR?!
DE 0 A 3 MESES
O RECÉM-NASCIDO
Assim como qualquer filhote, o recém-nascido precisa de abrigo. Um lugar aconchegante, limpinho, gostoso e preparado com amor. Precisa também dos pais, ou um adulto de referência e presença constante, que fale com ele em tom suave e o embale cantando músicas de ninar. As principais características dessa fase são:
Ele ainda não sustenta a cabeça;
Seus movimentos são ações reflexas;
Olha para um brinquedo suspenso na direção (direta) dos seus olhos;
Fixa por algum tempo um objeto e o acompanha com o olhar  até uma curta distância;
Direciona seu olhar para um foco de luz intensa;
Move os olhos, inspecionando o ambiente, as pessoas, os objetos coloridos e sonoros;
Olha a própria mão;
Repara nos sons produzidos pela voz humana, músicas suaves e brinquedos sonoros;
Quando percebe que uma ação não intencional produz um resultado interessante, ele tenta reproduzi-la.
DICAS:
Varie o campo visual da criança no berço, mudando a sua posição. Isto irá possibilitar à criança novas percepções.
Ofereça brinquedos luminosos a uma distância de 20 centímetros aproximadamente.
Caminhe com ele no colo e mostre-lhe diferentes objetos, pessoas e paisagens, sempre nomeando e estimulando seu interesse.
Balance-o, carregue-o em posições variadas e deixe-o no berço em posições confortáveis que permita a ele ir descobrindo o próprio corpo e o ambiente.
Toque- o e massageie-o; aproveite as trocas e o banho para brincar e fornecer boas experiências. Cante, faça sons engraçados e divirtam-se.

Brinquedos e brincadeiras têm sexo?

Durante a infância, acontecem as experiências lúdicas, onde a criança decide aquilo que lhe é mais atraente
Brinquedos e brincadeiras têm sexo
Um tema interessante de ser analisado é o relativo à preferência lúdica de meninos e meninas por brinquedos e brincadeiras. É interessante, porque estimula muitas perguntas. O que eles preferem? Do que eles gostam de brincar? O que elas preferem? Do que gostam de brincar? Haverá brinquedos e brincadeiras comuns aos dois sexos?
Quando um menino brinca e gosta de brinquedos “próprios” às meninas, isto indica alguma tendência ou opção de gênero? E, vice versa, o mesmo vale para as meninas? A mídia e a indústria de brinquedos influenciam ou determinam as preferências lúdicas de meninos e meninas bem como estimulam o consumo mais que o uso? É bom que pais e educadores intervenham favorecendo ou inibindo interação com brinquedos ou realização de brincadeiras não “adequadas” ao sexo da criança? A preferência lúdica é determinada pela cultura, pelos avanços da tecnologia?
Preferência lúdica refere-se à tendência de uma criança, independente do sexo, escolher certos tipos de brinquedos ou brincadeiras como as mais desejáveis ou mais interessantes para ela. Isto supõe, obviamente, possibilidade de opções, ou seja, ter mais de um brinquedo, tempo, espaço e condições favoráveis para expressar tais escolhas. Há culturas, famílias ou situações em que estas possibilidades são mínimas ou não são permitidas. Daí que escolher ou preferir implica poder ou ter o que escolher o que preferir. Dadas estas premissas, é comum observarmos diferenças entre as preferências lúdicas de meninos e meninas, sobretudo a partir dos dois anos de idade.
Esta relação entre expressão de preferência e de idade não é apenas uma questão cultural. Ela também está vinculada aos processos de desenvolvimento da criança. Segundo Piaget, por exemplo, é só no segundo ano de vida que ela tem recursos cognitivos e afetivos para realizar explorações lúdicas, ou seja, pode e se interessa em fazer experimentações com os objetos, investigando diferentes maneiras de se relacionar com eles, de empilhá-los, de batê-los, de produzir sons, etc. Explorar, investigar, encontrar novos meios de brincar com uma mesma coisa ou interessar-se pelo novo possibilita ou implica expressão de preferência.
Em geral, pela observação podemos verificar que meninos preferem atividades mais movimentadas dos 2 aos 7 anos. Gostam de pular, correr, medir forças, brincar com miniaturas de animais, seres pré-históricos, jogar bola, gritar. Meninas, nesta idade, preferem brincadeiras de faz de conta, brincar de casinha, imaginar papéis, colecionar bonecas, cantar, conversar. Dos dois lados, obviamente, há exceções. O importante para mim é que nós deixemos as crianças, ao menos no contexto de suas brincadeiras, assumirem seus desejos e preferências.
É importante que se faça uma diferença entre brinquedos e brincadeiras. Brinquedos são objetos: bolas, bonecas, iPads, miniaturas, etc. Brincadeiras são as atividades que as crianças realizam com os brinquedos. Há brincadeiras que não supõem brinquedos, pois o próprio corpo ou a imaginação da criança são suficientes. Há brincadeiras impossíveis de serem realizadas sem o objeto, a bola, por exemplo. Há brinquedos, os livros infantis, que são melhores utilizados com a ajuda de um adulto, que sabe ler e contar a história.
A brincadeira da criança, neste caso, é ouvir e se deliciar com tudo aquilo que o conto e o contador despertam nela. A música fica em uma situação intermediária: a criança pode criar e tocar instrumentos, sobretudo os improvisados, e também se delicia com os estímulos sonoros e o texto de uma bela canção.
Preferência lúdica é diferente de exclusividade lúdica ou preconceito lúdico. A cor rosa, penso, não é privilégio dos brinquedos e das roupas das meninas. O mesmo vale para a cor azul, em relação aos meninos. É certo que umas preferirão o rosa, e outros, o azul, mas isto não implica determinação. Há de se considerar também a influência do contexto doméstico. Em uma casa em que há uma menina e dois meninos a tendência é de as preferências lúdicas dos meninos ganharem, sem que isto signifique que a menina está se prejudicando. Pode também acontecer o contrário, em casa de meninas, quanto ao menino.
No âmbito da tecnologia visual ou digital, as preferências ou diminuem ou se expressam pela escolha dos programas. Meninos gostam de videogame e programas de ação com “violência”, “tiros” e “mortes” para todos os lados. Meninas gostam de jogos de construção, jogos de papéis. O importante é observarmos e considerarmos todas estas múltiplas possibilidades de combinação.
Uma última palavra: brincar, brincadeiras, brinquedos são coisas de crianças. Nós, os adultos, por diferentes motivos interferimos, proibimos, estimulamos, criticamos o que elas fazem. Será que até nisto elas serão consideradas incapazes e subservientes aos nossos interesses, medos e ambições? Deixemos que as crianças brinquem e que, ao brincarem, descubram e reinventem o mundo, e que sejam livres e responsáveis por si mesmas.
Por Professor Doutor Lino de Macedo
Assessor de psicologia e educação do Instituto Pensi e Hospital Infantil Sabará